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domingo, 27 de maio de 2012
sábado, 26 de maio de 2012
CONTEÚDO LIVRE: Tarefa do pensamento - João Paulo
Tenho uma grande admiração por esse pensador brasileiro.
CONTEÚDO LIVRE: Tarefa do pensamento - João Paulo: Dez anos da morte do pensador Henrique Cláudio de Lima Vaz são lembrados com lançamento de livros inéditos e de coleção dedicada ao filósofo...
CONTEÚDO LIVRE: Tarefa do pensamento - João Paulo: Dez anos da morte do pensador Henrique Cláudio de Lima Vaz são lembrados com lançamento de livros inéditos e de coleção dedicada ao filósofo...
CONTEÚDO LIVRE: ENTREVISTA/ ANA MARIA MACHADO - Ana Clara Brant
Muito boa essa entrevista da escritora Ana Maria Machado
CONTEÚDO LIVRE: ENTREVISTA/ ANA MARIA MACHADO - Ana Clara Brant: Amor à leitura Escritora com mais de 100 livros publicados fala dos projetos à frente da Academia Brasileira de Letras Ana Clara B...
CONTEÚDO LIVRE: ENTREVISTA/ ANA MARIA MACHADO - Ana Clara Brant: Amor à leitura Escritora com mais de 100 livros publicados fala dos projetos à frente da Academia Brasileira de Letras Ana Clara B...
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Para Maria da Graça - Paulo Mendes Campos
Essa crônica é simplesmente maravilhosa!!!
Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no país das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”.
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás.
Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável.
Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato.
Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu? “.
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes.
Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mais devagar, muito devagar. Quero dizer seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas.
Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.
(Do livro “O Colunista do Morro”, 1965).
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
MOINHO DE SONHOS
Texto belíssimo!!! Confiram!!! Adoro os contos João Anzanello Carrascoza
A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé.
Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio,
onde as oliveiras vicejavam.
Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de
serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho
próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras
ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou
um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de
Rocinante.
Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira
- um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.
Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe,
sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se
acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.
De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um
e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino
recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.
Começaram a se misturar:
- Deixa eu brincar com seu cavalo?, pediu Sancho.
- Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.
Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova
companhia.
Avançaram na entrega:
- Tá vendo aquele moinho gigante?, apontou Alonso.
Meu pai sozinho é que faz ele girar.
- Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
- Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.
- Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele
move o moinho com um sopro.
Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a
contar:
- Tá vendo o castelo ali?, apontou. Meu pai disse
que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.
- E se a gente esticasse o céu como uma lona e
cobrisse o que está faltando?, propôs Alonso.
- Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
- Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.
Temos de crescer primeiro.
Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num
jeito de subir até o céu! - disse Alonso.
- Vamos!, concordou Sancho.
- Vamos!, concordou Sancho.
Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo
entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.
Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.
João Anzanello Carrascoza
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br
Acesso em: 20.01.2012
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