sexta-feira, 27 de maio de 2011

PARA ALEXANDRE FERRARI

Dedico este texto de MARCELO COELHO ao meu amigo ALEXANDRE FERRARI

O kit anti-homofobia

Vi os três filmes que fariam parte, segundo se noticia, do kit “Escola Sem Homofobia”, do Ministério da Educação. “Fariam”, porque cedendo a pressões a presidente Dilma Rousseff resolveu suspender o projeto.

Achei os filmes bonitos, delicados, amorosos. O último, especialmente, sobre um garoto que se sente melhor como travesti, comoveu-me um bocado.

O primeiro, um bocado longo, conta em desenhos a amizade entre dois meninos, o modo como são chamados de gays pelos colegas de escola, e o beijo que um deles dá no primo do amigo.

Um rápido corte, e o menino está sozinho, na cama, preocupado com a própria sexualidade. “Será que eu sou gay?” Mas, na classe, ele se interessa também por uma menina. Conclui que não há nada de errado em gostar de pessoas de ambos os sexos.

O outro filme fala de duas amigas que ficaram de mãos dadas numa festa, do namoro que começa, e das piadas que circulam na internet sobre o relacionamento.

Falam-se pelo telefone; combinam de “enfrentar juntas essa barra”. As imagens seguintes mostram as expressões faciais dos colegas da escola, de espanto, constrangimento ou aceitação.

Concordo que não se trata apenas de uma campanha “contra a homofobia”. No seguinte sentido: não se demonizam os homofóbicos. Não se exige deles que reprimam, em silêncio, sua reprovação em nome da tolerância.

A ideia é diferente. Os filmes não são anti-homofobia, mas sim pró-homofilia. Ou seja, não se trata de dizer que se deve respeitar “os diferentes”, mas sim que se deve ver, nos “diferentes”, o que têm de igual a nós.

São pessoas inicialmente em dúvida sobre o próprio desejo, que o descobrem e se aceitam a si mesmos como são.

Eis uma coisa que diz respeito a todo ser humano, heterossexual, bissexual, homossexual ou qualquer outra coisa.

Os filmes privilegiam não o “inimigo” a ser combatido, a saber o homófobo, mas sim o amigo, o semelhante, o irmão, seja travesti, homossexual ou bi. Visam a conquistar nossa simpatia pelo outro, não nossa antipatia pelos que não gostam do outro.

Nesse sentido, não vejo como de uma perspectiva religiosa mais ampla se possa condenar esses filmes: eles falam de amor, de compreensão, de simpatia. Não de uma tolerância forçada, que se quer extrair dos outros de forma demonizadora, fazendo dos homofóbicos de hoje os párias da sociedade civilizada. Infelizmente, muitos homofóbicos parecem só se sentir bem nesse papel.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h13

Disponível em: http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br Acesso: 27.05.2011


Um comentário:

Alexandre Ferrari disse...

Oi, Tânia, só hoje vi o seu texto e a sua dedicatória. Obrigado. Um beijo grande. Saudades.